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terça-feira, 11 de abril de 2017

DOCE LOUCURA




 Pintura à oleo de Leonid Afremov






Vertem luar os teus olhos
enquanto me ama
um laço
os teus braços
a me enrodilhar a cintura
obstinado domínio
que me atrai ao teu corpo
ai...ai...que doce loucura!...


as mãos poeta deslizam absoluta
em minhas curvas úmidas
e os teus lábios
lavram-me na pele em chamas
um verso libertário
tatuagem lúbrica...


simbiose fálica anuncia o gozo
que se avizinha
as salivas trocadas
poção de Eros é mel
nessa tua boca que desfolha
a minha...

Maria Lucia (Centelha Luminosa)





quinta-feira, 30 de março de 2017

"CANTADA"


Emoção indefinida
avalanche imensurável
ora serena, ora inquieta
a provocar-me
íntimo contentamento...


estremeço-me
sucumbida de espanto
por tua "cantada" tão direta
por minha rendição
desavisada
enfeitiçada pelos sóis
do teu olhar...


a tua boca
afoita e a minha
submissa ao vasto céu
que me ofereces 
e, eis que num átimo
recuo...


ouso procrastinar 
o prazer que adivinho
iria me perpassar inteira
em iridescente gozo


Maria Lucia (Centelha Luminosa)

terça-feira, 28 de março de 2017

Da Solidão Para o Amor


Quero os teus olhos nos meus
cintilantes como o sol
após chuva de verão
quero a tua boca ansiosa 
pela minha
entreaberta a esperar 
pelo teu céu
quero-te de qualquer jeito
te acolho seja como for
como quem acolhe 
braçadas de flores ao peito
deixa-me ombrear contigo
como amante,  ou grande amigo
para a travessia dessa solidão
para o amor
para o meu amor!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)




sábado, 4 de março de 2017

NO PARAÍSO

Chega para mim, assim, devagar,
pouco a pouco
sinto o seu calor no meu rosto
o seu cheiro no meu colo posto



encontra-me a descoberto, exposta
toma-me para si, afoito
não espera a resposta nem repara
na imperfeição da forma - ama-me!



Toma dos meus licores, meus sabores
aspira do meu perfume.
se entrega inteiro.



Aventura-se e se umedece
em meus suores, em extase
pra depois contemplar embevecido
o meu adejar pelo paraíso do gozo



por não contentar-se com o pouco
aqui permanece como se além de mim
nada mais houvesse!


Maria Lucia (Centelha Luminosa) 




sexta-feira, 3 de março de 2017

LEMBRANÇA RASTEIRA



um dia sem compromisso
à sombra de uma palmeira
a água fresca do coco
o par de chinelos na areia
me vem a lembrança rasteira
essa preguiça ... é passageira!


Maria Lucia (centelha Luminosa)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A MELHOR FRAGRÂNCIA


pedi um cálice de vinho tinto
e me destes
para atender aos meus apelos
teus lábios gotejantes de beijos
a melhor fragrância do néctar
que inda sinto
cúmplices de meu desejo...


deixei, então
a tua boca avinhar a minha
pelos muitos beijos
que me foram dados
revelando na saliva
infinitos segredos
em goles derramados...


depois, veio um sono
despido de tempo e de espaço
em teu abraço
olvidei as significâncias
da razão para te reter agora
assim, debruçado
sobre o meu peito
a ressonar
embriagado de emoção!

Maria Lucia (Centelha Luminosa)


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Poesia-me (poeta pintor)


poesia-me quando
me percorres o corpo
com o olhar do poeta pintor
ávido por um mote
uma tela ao seu dispor
e põe-me a beleza pressentida
sensível aos dedos
escreve-me um enredo
na folha úmida do olhar
abrevia-me como num haicai
e demora-me na odisseia
cheia de ousadia
a palavra desaparece, fica vã.
pra declamar-me, apaixonado fã
sem plateia, ao final do dia...

Maria Lucia (Centelha Luminosa)

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Amor Além do Agora


Certo alguém, hoje, me procura
com paixão, ansiedade de amar
mas traz também na íris do olhar
sinais claros de despedida futura...


é encontro casual, desses que não satisfaz
por certo, me dará prazer na brevidade.
por ser, talvez, incerto e fugaz
partirá depois, sem deixar saudade...


desejo um amor que não se esquece
aquele que perdura além do agora
que do tempo seja aliado, porque cresce
e permaneça comigo vida a fora


Maria Lucia (Centelha Luminosa)



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Confissão


... confissão que oscila
entre o silêncio refinado da prudência
e o prazer de se expor
lasciva, apaixonada
sussurrando sem pudor: sou tua!


é desejo
avidez sensual que é só minha
sobrepõe-se de tal forma
que a libido a encaminha
por toda minha língua nua...


o meu amor vibra na urgência
rasgando o verbo da palavra alforriada
cada estrofe o revela livre, haurido
pleiteando, por ora
apenas o teu ouvido!

Maria Lucia (Centelha Luminosa)


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

SEMEADURA



A inquietude
vai para além dos dias
contemplação a esmo
no beiral do tempo...


reza os silêncios de cada dia
a alma pungente em noite escura
a fé surge iluminada...


pela mesma razão
se agita a paisagem em verdor
ante o zunir do vento
a chuva fina, a fruta, a flor...


agreste aroma
evola-se da terra arada
prenhe de semeadura...




Maria Lucia (Centelha Luminosa)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

NECTAR DO MEU SER




Não me tire à alegria de agora, meu dom.
a motivação pra suspirar...


nem a sina de sonhar
a emoção dessa hora
tradução do meu sentir...


não desdenhe a flor por ti subtraída
dos meus lábios
minha vocação de amar...


por que
é tudo o que eu tenho
o que me dá sustentação


a raíz, o húmus e o lenho
que me fincam nessa chão...


dou-te a renúncia amanhã, hoje não!
te desejar é néctar que flui em meu Ser
seiva que vivifica esse amor que eu não posso ter


Maria Lucia (Centelha Luminosa)



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A SUA CHEGADA

Eu bem quis segurar o instante
minha palma não foi o bastante
esvaiu-se de mim como sopro
seu gosto, seu cheiro, seu som...


uma réstia do seu jeito de amar
nem da sua alma a tessitura
eu não pude sustentar...


vai-se às pressas, a madrugada.
fustiga o sol que a clareia
nosso tempo é sem rumo, é o mote
que as nossas vidas colcheia...


antes que o pensamento divague
por aí, a sua procura
cerro os olhos pra guardar
dos seus, ó Deus!...O brilho do amor
que eu vi logo
na sua chegada!



Maria Lucia (Centelha Luminosa)


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

DEPOIS DO AMOR


Instigante esse seu jeito de amar
depois, vem o desapego
no olhar eminente partida
por que a palavra é vã
onde o silêncio impera...


mas ai!...
pudesse lhe amar de novo
o cheiro bom do amor
eu lhe daria em dobro
e o reteria aqui por perto
nessa manhã que não traz
a eiva dos dias...



como das outras vezes
depois do amor
desaparece por destino incerto
em sua fantasia de quimera
quedo-me em quietude
ávida de nova espera...


Maria Lucia (Centelha Luminosa)

sábado, 8 de outubro de 2016

SOMENTE UMA CRIANÇA


Perambula pelas ruas nua criança
sobrevive ousada e não descansa
no caminho estranho, arremessada
sem abrigo e sem amigo ainda sonha
essa revel mendiga
com o que a boca não pede e a alma almeja
e à fúria não cede...


na penúria em que se arrasta todo dia
tem lá o seu canto à margem
onde dorme e sonha que se despe
da rota e macabra veste
da frágil criatura ultrajada, em cidadão
das promessas vãs da politicagem...


liberta-se, então,
da sombra que a enlaça
de pé, em destemor na sua fortaleza
veste a alva túnica de ternura
de sorriso iluminado esquece a vil fraqueza...


eleva-se não mais a triste e mortal fragilidade
em o Ser dos paramos da mesa farta
de livro e pão e de esperança
para uma vida simples e de água pura
não mais a desprezível caricatura
para ser somente uma criança!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)





sábado, 1 de outubro de 2016

CONEXÃO



...vou assim
sem aquela pressa de chegar
a lugar algum
percorro devagar o caminho
e o caminho mesmo me ensina
a observar os detalhes simples
de uma folha seca ao vento
no galho frágil
um aconchegante ninho
o que antes era só paisagem
ao meu olhar indiferente
faz-me, hoje, pequenina e onipresente
para perceber vivalmas
nada mais, fica à margem
com seus significados profundos
por que, hoje, me inteiram
plenamente agraciada
para lapidar-me a alma...




Maria Lucia (Centelha Luminosa)