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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

DEPOIS DO AMOR



Instigante 
esse jeito de amar tão veemente 
dentro de mim depois
o desapego no olhar
iminente partida
por que a palavra é vã
onde o silêncio impera...


mas ai!... 
pudesse lhe amar de novo
o cheiro bom do amor
eu lhe daria em dobro
e o reteria aqui por perto
nessa manhã que não traz
a eiva dos dias...



como das outras vezes
depois do amor
desaparece por destino incerto
em sua fantasia de quimera
quedo-me em quietude
ávida de nova espera...

Maria Lucia (Centelha Luminosa)

sábado, 8 de outubro de 2016

SOMENTE UMA CRIANÇA


Perambula pelas ruas nua criança
sobrevive ousada e não descansa
no caminho estranho, arremessada
sem abrigo e sem amigo ainda sonha
essa revel mendiga
com o que a boca não pede e a alma almeja
e à fúria não cede...


na penúria em que se arrasta todo dia
tem lá o seu canto à margem
onde dorme e sonha que se despe
da rota e macabra veste
da frágil criatura ultrajada, em cidadão
das promessas vãs da politicagem...


liberta-se, então, 
da sombra que a enlaça
de pé, em destemor na sua fortaleza
veste a alva túnica de ternura
de sorriso iluminado esquece a vil fraqueza...


eleva-se não mais a triste e mortal fragilidade
em o Ser dos paramos da mesa farta
de livro e pão e de esperança
para uma vida simples e de água pura
não mais a desprezível caricatura
para ser somente uma criança!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)




sábado, 1 de outubro de 2016

CONEXÃO


...vou assim
sem aquela pressa de chegar
a lugar algum
percorro devagar o caminho
e o caminho mesmo me ensina
a observar os detalhes simples
de uma folha seca ao vento
no galho frágil
um aconchegante ninho
o que antes era só paisagem 
ao meu olhar indiferente
faz-me, hoje, pequenina e onipresente
para perceber vivalmas
nada mais, fica à margem
com seus significados profundos
por que, hoje, me inteiram 
plenamente agraciada 
para lapidar-me a alma...


Maria Lucia (Centelha Luminosa)



sexta-feira, 23 de setembro de 2016

RIO DE MIM


rio de mim
quando me vem à tona
cheiros, sabores
amores
descerro os olhos
um cisco incomoda
emerge no imaginário
um ponto de risco
aí, é um “Deus nos acuda”
um rio d’água
que me derrama
às vezes, se faz necessário
lavar a alma
em correnteza miúda!


Maria Lucia (centelha Luminosa)

domingo, 18 de setembro de 2016

DESASSOSSEGO DO POETA



Eu queria 
compreender-te a alma, poeta!
conhecer a tua desmedida ânsia de amar
vislumbrar o mundo onde habita
a tua alma inquieta...



imaginei que pudesse humanizar o divino
que existe em tua veia pulsante
trazer-te para o chão um só instante
p’ra escutar de perto a cítara
que vibra em teu coração...



sondar-te os arcanos insondáveis
no sagrado momento 
em que recolhes do cotidiano
doces rastros de sorrisos e de lágrimas
retalhos anônimos de faces sem nomes
p’ra compor os teus poemas canções...



parece-me captar as ondas das emoções
que carregas em segredo,
misto de prazer e de medo
sob o véu do teu aconchego...



escravo e senhor. Dominado e dominador
assim, é, poeta, 
o teu mundo em desassossego
poesia destravada, de incoerência e paixão
labareda atirada a esmo
capaz de incendiar livre o mundo de fora
tão cheia de ti mesmo!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)






sábado, 3 de setembro de 2016

LÁGRIMAS BENFAZEJAS




A lágrima é um meio 
que a Natureza nos deu
para materializar excessos de nós
que não nos cabem, por dor, raiva, desilusão
incontida aflição ou desamor
alguma veleidade
pra atenuar a ansiedade das esperas
da saudade
para aliviar a alma 
consolo pra melancolia
e também pra intensidade da alegria
expressar felicidade
gotas que aos olhos lampejam
elas são, por isso e, muito mais
lágrimas benfazejas!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)


terça-feira, 30 de agosto de 2016

VOLTO PRA MIM



Amei-te 
me recusando a olhar
o que trazias consigo
atravessei veredas
pisei em pedras
de sombras vencidas...


tiro-te de mim simplesmente
abrindo os olhos, silencio à boca
mudez a fala, não há lamúrias
soluço sustado no peito a galope
esgotou-se-me os argumentos
não mais me arranham as colisões


o clamor de antes deposito delicadamente
nas asas do sonho
estou voltando pra mim
enfim...


Maria Lucia (Centelha Luminosa)

sábado, 27 de agosto de 2016

DESPEJO



Havia lhe dado moradia ao lado
esquerdo do peito...


Na sua vinda, trouxe pro meu leito
o seu livro de muitas histórias
que em silêncio eu lia e ouvia ...


o violão e a sua contagiante cantoria
uma bagagem, cheia de metáforas
recortes de imagens do passado
conservadas, ainda...


pouca coisa. Tudo que tenho - sorrindo me dizia.
ali, se instalava como queria.
por dias.


sem lhe chamar  – ele vinha
amava, amava até esgotar-me.
até que um dia no cômodo que lhe dei
a balburdia começava...


a palavra esvaziou-se 
pra vida falsa promessa
trapaceadas ausências
sacanagem todo dia, foi o fim...


Despejei-lhe 
vá depressa, fora
do cômodo ao lado esquerdo
de mim...


Maria Lucia (Centelha Luminosa) 



sábado, 20 de agosto de 2016

GOTA DE ORVALHO NA FOLHA DE NHAME




Não sei
de onde vem intrusiva
deslocando brisas
em espiral
uma gota de orvalho
a desfolhar entremanhãs
no meu quintal


pingo d’água espera
na folha de inhame
balançando ao vento
quem o ame...


a noite serena
se arvora em luares
pra se estesiar


rebrilha na gota
que triste dizia:
- é de ti, oh...Lua, esse brilho
ou me roubou a poesia?

Maria Lucia ( Centelha Luminosa)


sábado, 13 de agosto de 2016

O OLHAR DE MEU PAI



























                                    ... segue assim, ainda
por vias estreitas e insuspeitas
astuto a colher belezas
apenas pressentidas
e os quase nadas despercebidos
das pequenas coisas...


a grandeza oculta
das mais insignificantes
momentânea, peregrina
dos movimentos ondulatórios
ciclos que se abrem e se fecham
invisíveis ao olhar viciado
sem vibração, morno
no umbigo...


seu existir no enredo matinal
adornado ao pão à mesa
do aroma de café fresco
o fogão à lenha
a crepitar paixões...


trigo ao vento seus cabelos
seu jeitão de cismar longe
descobridor de aquarelas
e, daqui sinto que o teu sonhar menino
perdurará além no infinito
no amanhecido olhar do meu pai!





Maria Lucia (Centelha Luminosa)





sábado, 6 de agosto de 2016

ARIANA



Versos a partir das características do meu signo Aries. Minha imagem ao fundo do poster. 



Sol em Áries
início de um novo ciclo
que ao passado enterra
e depois se recicla


semente a rasgar o ventre da terra
amadurecida - impulso de vida


pela Justiça e a Verdade na Terra
entrega-se em imolações
aos deuses da guerra...


Áries é Centelha, a luz da vela
que alumia sua face de carmim...


fogo que arde e desmantela
qualquer sinal de passividade
que possa existir, até o fim...


no embate quer o desafio
não lhe intimida as trevas e o vento frio
o mundo se lhe representa
uma vasta seara no cio...


normas sociais desiguais
põe-lhe em ebulição
por que segue a frente do seu tempo...


pequena candeia, é o estopim
para de si, irromper um vulcão...


se veste de púrpura
para viver as paixões
cativa da flecha do Cupido
mas...não se rende à grilhões...


o que deseja mesmo num lampejo?
recomeçar tudo a cada segundo
vitoriosa semente que rompe a casca
como num parto, para abrir espaços
e conquistar a Luz do mundo!

Maria Lucia (Centelha Luminosa)






terça-feira, 2 de agosto de 2016

ALQUIMIA



Roubo-te o aroma
absinto de teu dorso nu
embriagante confidências em rimas...


Meus lábios roçam os sulcos de tua face
mordida pelos anos
e sorvem com avidez céus e infernos
de tantas paixões suas...


meu instinto vai além
dessa robusta forma pra mergulhar 
com a avidez dos amores
e seus excessos...


rasga-se a mordaça
nossas bocas se fundem
tempestuosa saliva orgástica
alquimia jorrada é vinho do amor
em minha delicada taça!



Maria Lucia (Centelha Luminosa) 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

AMOR FUGAZ



de relance o rastro
no ar, essência de jasmim
risco de relâmpago
brilho atemporal
direto, certo ante 
aquele encontro
sem igual, diferente
não demorou, mas se fez
completo o bastante
para um beijo ardente um cheiro
sob os meus cabelos
pra depois, sair de mim
seguir em frente...


Maria Lucia (Centelha Luminosa)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O AMOR QUE EU NÃO POSSO VIVER



Não. Não me tire a emoção
nem a motivação
nem o respirar
nem a sina de sonhar
toda a tradução
desse meu sentir...



Não. Não me tire a vocação
de amar
de me entregar
sustentação da razão de ser
da minha permanência
nesse chão etéreo...



dou-te o brilho do nácar
que vem desse amor
construído em desatino
por querer subverter
o destino e a dissonância
entre o querer e o não poder...



mas, não me tire
o que germina vida nesse amor
que não posso viver!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

ALFA E ÔMEGA



Caminhei sem rumo junto as vagas
vaguei
instante fugaz pra sonhar
sonhei...


misturei tristezas ao sal pra se dissolver
transmutar o onírico ao real
nova energia pro meu Ser
marejei...


depois,no ocaso de fogo
intrigante fusão que me entardece
incendiei-me!



inundada, incandescente, banho de prazer
em total e inefável entrega

Mar e Sol. Alfa e Ômega!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)







quinta-feira, 21 de julho de 2016

CELEBRAÇÃO




Do teu olhar no meu ficou
a celebração do amor...


era tão envolvente
que nele,  eu me deixava...


às vezes, me perdia.
noutras, me encontrava...


não importava o mistério
embutido na irís
apenas aquela lúcida candeia
era luz suspensa
a me trespassar por dentro...


choque sútil
luminescência
celebrando a minha vida!



Maria Lucia (Centelha Luminosa)