quarta-feira, 21 de junho de 2017

CONTRAPONTO DA FUGA

christophe kiciak fotografia surreal


Olhares de fogo abrasam eternidades - implosão!...
encontro de silêncios reveladores
desses tantos dissabores atravessados
na garganta que nos contorcem
em dores os
pedaços...


para impedir a fuga não há cancela que segure
os que fogem desse horto
chão de redemoinhos
que nos
engole...


um bisturi que fere é a mesmo que esparge a cura
para salvar o pouco que resta
por trás da fresta
e fazer vivo
o que parece
morto...



Maria Lucia (Centelha Luminosa)




terça-feira, 20 de junho de 2017

CELEBRATÓRIO GOZO




Não se desaprende os segredos do impulso
que faz um corpo estremecer, rodopiar 
e se entranhar no outro...


...de liberar a seiva da emoção
para as mãos, cruzando os dedos
em cumplicidades...


o sentido oculto das coisas está 
em dispensar as horas de suas pressas
para o naufrágio certo em altas ondas...


não se desaprende o marulhar do sangue 
ao toque saboroso – sinestesia certa
para a vazão de celebratório gozo... 


Maria Lucia (Centelha Luminosa) 



sábado, 17 de junho de 2017

UM POUCO DE TUDO



Peregrina aonde vai com as mãos vazias?
O que busca ?
- sigo em frente o ponto se me faz indiferente...


na palma - vão ocultos
os recortes de amores que partiram
camuflados os seus adeuses
às escondidas, às ausências...


no torvelinho de silêncios
ecos de canto e de grito
no infinito do escaninho
espalmadas - se enchem de procura
da visão clara do sonho quando nele eu ponho
rios, lírios e luas...


busco aquela estrela que crepita e cai
quando se fizer mais escura
a noite do meu olhar...


procuro asas nas palavras para voos
meu porto de abrigo
são coisas miúdas, um quase nada
um pouco de tudo que segue comigo.


Maria Lucia (Centelha Luminosa)


domingo, 11 de junho de 2017

NESGA DE SOL


Palavra!...
revela-me a intimidade do côncavo ao convexo
somente pra me dessegredar
descabida verdade...


ao esboço de um verso prescrito lavra círculos de luz
entremeados de infinito
e o converte em poesia nova...


quero-as por perto mais do que gente
tenho a nesga de sol
que medra a semente...


Maria Lucia (Centelha Luminosa)


terça-feira, 6 de junho de 2017

POESIA TRUNCADA


A brisa que trouxe aquele
que faria nascer flor 
gotejada de versos
foi a mesma
que por ausências
truncou a tênue raiz 
no nascedouro
e fez abortar o perfume
que era a própria poesia
agora, jaz inacabada...


Maria Lucia (Centelha Luminosa) 

domingo, 4 de junho de 2017

ORGIA


Quero-te renascendo
na alvorada dos meus braços
como quem cinge a vida
tangível ao toque dos dedos
como quem expulsa a míngua
da boca molhada sobre a minha...


devora-me de fome e consagras a língua
esfaimado apetite compartilhado
a beira da ninfa


mas será ante a vindima de promessas
do meu corpo, que te quero
a desbravar uma vez mais os meus limites
possuindo-me, dessa vez, por inteira
ave migratória que encontrou o pouso...


para que o vinhedo celebre a orgia
quero-te ébrio de mim e de magia
para prosseguir sem arrefecer o gozo...


Maria Lucia (Centelha Luminosa)


sábado, 3 de junho de 2017

NOVO TEMPO EM NÓS



Mais alguns poucos anos na esteira dos dias
e a continu(idade) nos inspirará desafogos
poéticos nas folhas do tempo...


pela mesma razão, ciclos se fecham e se abrem
velhos o bastante para definharem
numa estação chamada passado...


mas esse mesmo tempo que nos devora
será convertido em riso alto para acordar
a criança em nós, ante a luz de nova aurora...


Maria Lucia (Centelha Luminosa)



quarta-feira, 31 de maio de 2017

Entardecer Em Liberdade



Apesar da assinatura do tempo
ao redor dos olhos e cantos da boca
deixo-me esculpir 
por misterioso cinzel de neon
de luz novíssima na tessitura 
de minha divers(idade)...


para que eu vibre na frequência dos amores
e não sucumba à passividade
que me roubaria os albores permanentes
deixo-me entardecer em liberdade...


porém, se ferida pelo descaso
de alguma palavra que não me acaricie 
ignorando-me a ânsia de suas asas
torno-me destroço, fragilidade.


Maria Lucia (Centelha Luminosa)


terça-feira, 30 de maio de 2017

LAMENTOS



Nessa lua de agora
que entope meus olhos de prata
há uma conspiração ao meu desejo
de desaprender o choro
e o estancar meu manancial
de silêncios...


espera que eu sorrisse
brilhos de sol
já pra nascente do dia
que se amiúda depressa


momento crucial esse
em que meu olhar
transborda mais lamento
que pétalas de ternura
mais asperezas que mel
na concha das mãos...



Maria Lucia (Centelha Luminosa)



sábado, 27 de maio de 2017

PEQUENO RAMO DE GIESTA




Além de um triste adágio, 
o lamento
e para a frustração 
de um poema sem inspiração 
- um caro ágio
alguns dias de ausência a dois
sedimenta em mim
antiga solidão e continuo
pelo meu caminho agora
não depois
por que a autopsia está feita
uma poesia permanece 
na memória
cheirando à desilusão
então, nada mais resta
enfeito a nossa pequena história
- com um pequeno ramo de giesta!

Maria Lucia (Centelha Luminosa)




quarta-feira, 24 de maio de 2017

DEDICATÓRIA


Chegava apressado
sorriso solto, o peito arfava
trazia nas mãos voejos de amor
a desenhar os meus contornos
traçando os rumos certos
para o prazer
de depois



havia tanta sede
nos gestos apressados ao desnudar
a nós dois, muita fome por saborear
a maçã, mas degustava primeiro
o meu batom ao gosto bom
da hortelã...



fosse tema
para novos versos
nossa história teria somente
uma dedicatória: para alguém
por quem vivo a esperar
a volta!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)






domingo, 7 de maio de 2017

NA TUA POESIA




Buscava-te, em vão
através do dia
pelas vias das cidades,
nos campos, n’algum recanto,
nos livros, nas palavras,
num romântico canto...


intentava desvendar-te 
os mistérios e escalei
sóis e luas nas lonjuras
dos continentes...


quanto te sonhei!...
Na travessia
do portentoso oceano
desse meu desejo insano!...


anoitecia... 
um relâmpago cruza os céus
dos meus olhos de espanto
repentinamente encontro
quem quero tanto 
a oferecer-me amor
em apaixonada poesia!

Maria Lucia (Centelha Luminosa)


Dedicado ao poeta amado J.J.M

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O POEMA QUE TE CONCEDO



Poema dedicado ao poeta Juan Jaime Martín
Com carinho...





Dê-me palavras que se ufanem
nos versos que invento e dar-te-ei
um poema para o teu contentamento...


... a semente de um sentimento qual for
e a semearei no solo fértil d’alma
onde costuma nascer amor...


...o regozijo de possuir teu peito nu
para que eu o adorne com desvelo
dos afagos do negror dos meus cabelos...


venha...navegues nesse rio fluindo interminável
entre meus seios trêmulos de anseios
de um amar contínuo e cúmplice...


por que nesse poema que agora te concedo
és a inspiração
o tema e o enredo!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)

terça-feira, 11 de abril de 2017

DOCE LOUCURA




 Pintura à oleo de Leonid Afremov






Vertem luar os teus olhos
enquanto me ama
um laço
os teus braços
a me enrodilhar a cintura
obstinado domínio
que me atrai ao teu corpo
ai...ai...que doce loucura!...


as mãos poeta deslizam absoluta
em minhas curvas úmidas
e os teus lábios
lavram-me na pele em chamas
um verso libertário
tatuagem lúbrica...


simbiose fálica anuncia o gozo
que se avizinha
as salivas trocadas
poção de Eros é mel
nessa tua boca que desfolha
a minha...

Maria Lucia (Centelha Luminosa)





quinta-feira, 30 de março de 2017

"CANTADA"


Emoção indefinida
avalanche imensurável
ora serena, ora inquieta
a provocar-me
íntimo contentamento...


estremeço-me
sucumbida de espanto
por tua "cantada" tão direta
por minha rendição
desavisada
enfeitiçada pelos sóis
do teu olhar...


a tua boca
afoita e a minha
submissa ao vasto céu
que me ofereces 
e, eis que num átimo
recuo...


ouso procrastinar 
o prazer que adivinho
iria me perpassar inteira
em iridescente gozo


Maria Lucia (Centelha Luminosa)

terça-feira, 28 de março de 2017

Da Solidão Para o Amor


Quero os teus olhos nos meus
cintilantes como o sol
após chuva de verão
quero a tua boca ansiosa 
pela minha
entreaberta a esperar 
pelo teu céu
quero-te de qualquer jeito
te acolho seja como for
como quem acolhe 
braçadas de flores ao peito
deixa-me ombrear contigo
como amante,  ou grande amigo
para a travessia dessa solidão
para o amor
para o meu amor!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)




sábado, 4 de março de 2017

NO PARAÍSO

Chega para mim, assim, devagar,
pouco a pouco
sinto o seu calor no meu rosto
o seu cheiro no meu colo posto



encontra-me a descoberto, exposta
toma-me para si, afoito
não espera a resposta nem repara
na imperfeição da forma - ama-me!



Toma dos meus licores, meus sabores
aspira do meu perfume.
se entrega inteiro.



Aventura-se e se umedece
em meus suores, em extase
pra depois contemplar embevecido
o meu adejar pelo paraíso do gozo



por não contentar-se com o pouco
aqui permanece como se além de mim
nada mais houvesse!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)