sábado, 8 de outubro de 2016

SOMENTE UMA CRIANÇA


Perambula pelas ruas nua criança
sobrevive ousada e não descansa
no caminho estranho, arremessada
sem abrigo e sem amigo ainda sonha
essa revel mendiga
com o que a boca não pede e a alma almeja
e à fúria não cede...


na penúria em que se arrasta todo dia
tem lá o seu canto à margem
onde dorme e sonha que se despe
da rota e macabra veste
da frágil criatura ultrajada, em cidadão
das promessas vãs da politicagem...


liberta-se, então,
da sombra que a enlaça
de pé, em destemor na sua fortaleza
veste a alva túnica de ternura
de sorriso iluminado esquece a vil fraqueza...


eleva-se não mais a triste e mortal fragilidade
em o Ser dos paramos da mesa farta
de livro e pão e de esperança
para uma vida simples e de água pura
não mais a desprezível caricatura
para ser somente uma criança!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)