domingo, 18 de setembro de 2016

DESASSOSSEGO DO POETA



Eu queria 
compreender-te a alma, poeta!
conhecer a tua desmedida ânsia de amar
vislumbrar o mundo onde habita
a tua alma inquieta...



imaginei que pudesse humanizar o divino
que existe em tua veia pulsante
trazer-te para o chão um só instante
p’ra escutar de perto a cítara
que vibra em teu coração...



sondar-te os arcanos insondáveis
no sagrado momento 
em que recolhes do cotidiano
doces rastros de sorrisos e de lágrimas
retalhos anônimos de faces sem nomes
p’ra compor os teus poemas canções...



parece-me captar as ondas das emoções
que carregas em segredo,
misto de prazer e de medo
sob o véu do teu aconchego...



escravo e senhor. Dominado e dominador
assim, é, poeta, 
o teu mundo em desassossego
poesia destravada, de incoerência e paixão
labareda atirada a esmo
capaz de incendiar livre o mundo de fora
tão cheia de ti mesmo!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)