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sábado, 13 de agosto de 2016

O OLHAR DE MEU PAI



























                                    ... segue assim, ainda
por vias estreitas e insuspeitas
astuto a colher belezas
apenas pressentidas
e os quase nadas despercebidos
das pequenas coisas...


a grandeza oculta
das mais insignificantes
momentânea, peregrina
dos movimentos ondulatórios
ciclos que se abrem e se fecham
invisíveis ao olhar viciado
sem vibração, morno
no umbigo...


seu existir no enredo matinal
adornado ao pão à mesa
do aroma de café fresco
o fogão à lenha
a crepitar paixões...


trigo ao vento seus cabelos
seu jeitão de cismar longe
descobridor de aquarelas
e, daqui sinto que o teu sonhar menino
perdurará além no infinito
no amanhecido olhar do meu pai!





Maria Lucia (Centelha Luminosa)