sábado, 27 de agosto de 2016

DESPEJO


havia lhe dado moradia ao lado
esquerdo do peito
na sua vinda, trouxe pro meu leito
o seu livro de muitas histórias
que em silêncio eu lia
o violão e a sua contagiante cantoria
sem enfado eu ouvia
uma bagagem, cheia de metáforas
recortes de imagens do passado
conservadas, ainda...


pouca coisa.
Tudo que tenho - sorrindo me dizia.
ali, se instalava como queria - por dias.


     sem lhe chamar  – ele vinha
amava, amava até esgotar-me.
até que um dia no cômodo que lhe dei
a balburdia começava...


a palavra esvaziou-se
pra vida falsa promessa
trapaceadas ausências
sacanagem todo dia, foi o fim...


Despejei-lhe!... vá depressa, fora
do cômodo ao lado esquerdo de mim!



    Maria Lucia (Centelha Luminosa)