MANSAS E BONITAS ESSAS MÃOS



Mansas e bonitas são
essas mãos de agora
a acariciar versos antigos
nelas o desenho
da rugosidade prosaica
de inefáveis epopeias...




longos e trêmulos
os dedos fecundados
por soletrada docilidade
do tempo em que esparzia poemas
as mancheias
mansas e bonitas essas mãos!




recusa-se agora, oh!...
obstinada teimosia
a folhear suas vivências
calcinadas pela vida
por tratar-se de idosas mentiras
coisas ruídas a que não se prende...




(in...)consequências apenas
de sua existência
sua mais incompleta poesia...





Maria Lucia (Centelha Luminosa)