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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

IMPORTA QUE EU DIGA



Importa que eu diga
não fossem as vergastadas e o travo amargo
de outros tempos
estaria agora a coser pano velho
como se tudo o mais
fatigasse por ausências...



hoje
pertenço à penumbra da madrugada
aplaino a solidão em meus atalhos
indócil e desassossegada
incendiando as sementes que espalho
por imposição de minh ‘alma...



se, por ora, me refaço nas letras
que me caem em pencas
é para permanecer a salvo das intempéries
“Sine qua non”, para que eu respire a vida
por onde me despenhei...



apesar da assinatura do tempo
ao redor dos olhos e cantos da boca
deixo-me esculpir por misterioso cinzel de neon
de luz novíssima
para que eu vibre na frequência dos amores
e, não sucumba à passividade
que me roubaria os albores
permanentes...



porém, se ferida
 pelo descaso de alguma inspiração
que não me assalte
torno-me destroço
fragilidade.





Maria Lucia (Centelha Luminosa)