Dia de Solidão



Espreito a vida de soslaio
no parapeito do tempo
líquida, abundante, precisa
não importa o inverno
no entremeio


Lá adiante ainda ardem
no forno das estações 
sonhos de poesias que se dividem
em feixes de luz através da tarde...




Converto lamúrias em Ilíadas
do sopro de que sou feita
e as coloco por perto...


Quem haverá de entender
engastado num metal
um “solitário”?


Sozinha, eu?...Não!


Tenho a existência 
de vivências, cheia;
essa janela escancarada 
para o mundo;
os que por aqui passaram;
ruídos de amores estilhaçados;
 e, esse pequeno raio de sol
a me cortejar nessa hora:


- Que fazes?
- ilumino o teu dia!
- por onde andaste na noite que passou?
num carinho morno em minha mão
confidencia:
- tecia sonhos pra tu sonhares
nesse teu dia de solidão!


Maria Lucia ( Centelha Luminosa)