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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

FRÊMITO




Tens agora a emergir nas águas rasas
dos teus olhos uma saudade
de uma paixão inesquecida
entornada em teu corpo
à exaustão naqueles dias
única prioridade tua, então...


Tanto jurou!...(quanta insensatez!)
que não cometerias tal tortura
outra vez
de abrigar o passado
sob o próprio teto
como se lembranças reprimidas 
bastassem
pra embalsamar afetos...


Paixão em que se mergulha
na mais estúrdia inconseqüência
entorpece feito vinho degustado
num só gole até o final
do ato
é lascívia que não se esquece!


(Ah!... Tens razão pra essa saudade!)

Paixão e saudade somadas
é coisa que não se explica 

e o que fica?

onda revolta
que arregaça a vida
frêmito que detona o peito
súbito que vem à tona
imagem latente
feito enchente
que tu já conheces tanto
e por mais que tentes
ela não se dissipa 
em teu pranto...

Maria Lucia (Centelha Luminosa)