A Minha Dor





Trago o corpo alquebrado
combalida que estou
marcada por lesões
e alguma dor
gemidos por fora
aguilhão reparador...


Por dentro, em cada canto
uma lágrima contida
soluço sustado
no peito quebrado


Uma cantilena
acena o bem
do amigo que me vem
eu repouso os meus pedaços
o meu cansaço
no terno abraço.


Enleada à dor
uma lágrima silenciosa
pede alforria
aos céus
pelo menos por um dia...


Driblo o queixume que fustiga
a paciência amiga
e, entrego-me ao riso trapaceiro
por que o meu rosário de lamúrias
eu o rezo
nas noites de silêncio
na maciez do travesseiro.


Maria Lucia (Centelha Luminosa)