RUA DA MINHA INFÂNCIA





Abro as portas da memória
pra desaguar. Dar vazão
às doces reminiscências
p’ra rua da minha infância
larga de sonhos e fantasias
cheia de minhas vivências.



A minha rua de hoje
não lembra aquela de ontem
não tem a alegria e nem a magia
de um tempo de pouca idade
quando ruas guardavam segredos
em total cumplicidade.



Não tem da mãe o olhar
que acompanha sempre a cria
atenta ao seu caminhar
não tem as ruas de hoje
as flores do Bem-me-quer
em sua existência simples
pétalas pra eu colher
atapetar as suas margens
retalhos de sol na ramagem.


Sem nenhum medo de rua
eu tinha encontros com a lua
quando a noite descia
crianças cantavam em roda
a ciranda da inocência
quanta alegria fluía!


O tempo que a tudo transforma
em sua passagem voraz
somente não foi capaz
de em minhas lembranças por um fim
a rua da minha infância
está tão próxima, tão inteira
e viva dentro de mim!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)