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domingo, 1 de abril de 2012

SÓ O AMOR...


Esse texto poético é baseado em história de real da menina Maria Clara, testemunhado por mim e por outras pessoas.





Era uma vez ...


...em um reino de naturais encantos
vicejavam, lado a lado, o joio e o trigo
festas, carências e pranto
riqueza e poder, miséria e dor
privilégio e exclusão
indiferença e amor!




Igual a ventania em pleno entardecer
surge Maria Clara de triste caminhada
braços nus e pés no chão
palidez, desnutrição...




Face contraída, mãos estendidas em agressão
disfarçada melancolia
estigma da infância abandonada
recusa o abraço, recua o passo
expressa desconfiança e desalento
a mendigar no silêncio do olhar
amor e alimento...




Onde mora a Esperança?




Conhecedor das angústias humanas
um amigo veio em meu socorro
trazendo-me à lembrança:




"- criança mal amada é afrontosa
como um botão fechado, esturricado
nada tem a oferecer ao mundo senao espinhos
só o Amor pode fazer desabrochar a rosa..."




Respira preconceitos, transpira medos
o ataque é sua defesa
a carranca é muro falso de fortaleza
protege-se da frustração, sua reação é notória
o outro, é ameaça constante
a raiva nas atitudes é a dramática forma
de contar a sua história...




a solidariedade e o ideal são nossos
é o que nos impulsiona ao comprometimento, à ação
estar disponível, único recurso à mão
- É o amor em movimento!




sua verdade e realidade só o amor podia conhecer
pra reeducar em novas experiências
diferentes modos de ver, ouvir, sentir e perceber
"quem ama, tem o dom da segunda visão"
faz-se agente da transformação
um sinalizador das belezas da vida
ombreia com  outro, se faz a própria acolhida
ajuda a acionar a potencialidade da rosa
daquele botão fechado, esturricado...



Quanto tempo se passou?



certo dia, um raio de sol na negra face despontava
Maria Clara sorria!
ensaiava a primeira poesia
a um passo de sua reconstrução
trabalhava com as mãos, mente e coração...




traz ainda, muros frágeis de fortaleza
mas, não recua mais ao abraço
não recusa o amor
tem olhos de ver o alvorecer de novos dias
cultiva em seu canteiro de obras a vontade
o aprender e o alegria de viver...




Sua história não termina aqui
prossegue ainda, em desafios incessantes
pois, descobriu ainda agora que é em si mesma
que a Esperança mora!




"Quem ama tem o dom da segunda visão"
Maria Montessouri - Educadora



Maria Lucia (Centelha Luminosa)