Esperança Vem de Esperas

“Compreender o ritmo e o tempo dos dias. Este é o segredo.”
―Bibiana Benites


Os dias passam velozes e permeiam a tudo com seus significados vitais quando ciclos se abrem e se fecham. Na contramão, o homem se arrasta na convenção das horas sobre a terra crestada do cotidiano. A secura de dentro se iguala a de fora, e se alastra para se esfarelar nas lonjuras, descrença e pessimismo, rente ao chão, onde se acomoda...

De inópito, a chicotear vapores, Éolo avança e desarruma o paradeiro sob a pressão de seu azorrague robusto. À sua passagem em fúria o suposto forte tomba, o que se enverga, permanece...Alheada a semente multiforme espera dormente, e sonha outras formas na leira, onde irá despertar e transformar-se, para cumprir o vir-a-ser, a que foi destinada.

As longas esperas, feitas de utopia e teimosia, entretanto, se resguardam sob as pálpebras, em demoradas sismas...Não há aflição pela incerteza do ambívio. Por um dom natural, pressentem que a ebulição não tarda a se elevar aos píncaros de Tlaloc ou de Indra, que a devolvem em fertilidade por todos os lados.

Ah!...Como demora a baixar do céu a vida em gotas, para aridez do chão, que é onde a esperança mora!

Maria Lucia (Centelha Luminosa)