PARIDO NO CHÃO


“...o ator vive, chora, ri, em cena, mas enquanto chora e ri ele observa suas próprias lágrimas e alegria. Essa dupla existência, esse equilíbrio entre a vida e a atuação, é que faz a arte” (STANISLAVSKI, em A Construção da personagem)



Textos rabiscados pelo chão espalhados, corrigidos, assinalados em cenas intercaladas por risos e sustos constantes. Improvisos aqui e ali, gestos soltos, naturais marcações entre um ato e outro.
Repetição, repetição, repetição...
Não está bom? ...Não!...Vem à desconstrução como um culto, e a mensagem, alguém prestou atenção?
Desvelamento, expressão, linguagem, um gesto sútil.
Um grito explode no ar:- paraaaa tudo já, isso ficou bom!
Vislumbra-se um vulto, é o "corpo poético", orgânico, visceral.
Repetição, repetição, repetição...
De súbito nasce da solidão do caos a (o) personagem, emocionado, uno com quem lhe dá vazão. Único, imortal parido no chão!


Maria Lucia (Centelha Luminosa)