sexta-feira, 27 de maio de 2016

PONTO DE PARTIDA




Era-lhe o silêncio as asas
para as lonjuras ao seu olhar
na inquietação
voejava abismos fictícios
ensimesmada, divagante
tamanha a vontade
de migrar...



de sorte ninguém 
a acompanhava 
porque ousava
metamorfosear-se
em cada entardecer
entardecente se fazia
pra se comprazer...



percorria pérvios caminhos 
e o caminho era ela mesma
densa e virginal
esgueirava-se pela barranqueira
molhava os pés na correnteza 
e se fazia rio
estuante que era transbordava
a cada vendaval...



ao abraçar as planicíes
a vida lhes emprestava
e pra searas matinais renascia
renascida se fazia semente
para germinar outra vez
seu ponto de partida...


Maria Lucia (Centelha Luminosa)